domingo, 26 de agosto de 2012


Amor, que o gesto humano na alma escreve, 
Vivas faíscas me mostrou um dia, 
Donde um puro cristal se derretia 
Por entre vivas rosas e alva neve. 

A vista, que em si mesma não se atreve, 
Por se certificar do que ali via, 
Foi convertida em fonte, que fazia 
A dor ao sofrimento doce e leve. 

Jura Amor que brandura de vontade 
Causa o primeiro efeito; o pensamento 
Endoudece, se cuida que é verdade. 

Olhai como Amor gera, num momento 
De lágrimas de honesta piedade, 
Lágrimas de imortal contentamento. 
Luís de Camões