“No horizonte dos nossos sonhos encontra-se tudo aquilo que jamais poderemos alcançar…
A dor é causada pela ausência da pessoa amada, ou pela ausência do sentimento não retribuído?”
A dor é causada pela ausência da pessoa amada, ou pela ausência do sentimento não retribuído?”
(HPFSF)
As aulas tinham terminado à menos de 15 dias. Eram precisamente 23h42m, quando tínhamos descido do comboio que nos levou até Viana do Castelo.
Desconsolados, iniciamos a descida da rua da estação em direcção ao rio com o mapa na mão, com intuito de verificarmos a localização do parque de campismo, para podermos pernoitar.
Atravessamos a ponte velha de Viana, para a outra margem do rio, e percorrendo depois mais três ou quatro quilómetros, chegamos ao bendito parque de campismo.
Completamente exaustos, montamos rapidamente a “Canadiana”, e adormecemos por volta das 3h15m.
Já o sol ia alto, quando acordamos e fomos almoçar ao bar do parque. Pedimos um hambúrguer e uma caneca de cerveja para cada um. Prontamente servidos, almoçamos ao som de um concerto que passava (ainda hoje não sei como) na RTP, dos “P.I.L. Live in Tóquio”, uma banda Punk, fruto dos extintos Sex Pistols.
Ao nosso lado, troteando quase todas as músicas do concerto, encontrava-se um Punk, com a sua crista verde/azulada em riste, com cinco ou seis brincos (agora piercings), nas orelhas e nariz, com os seus Jeans gastos, e a sua T-Shirt de culto (com a imagem do Sid Vicious) cravou-nos um cigarro com intuito de meter conversa.
Depois de mais de duas horas de conversa, chegamos à conclusão que vivíamos na mesma cidade, muito perto uns dos outros, tendo inclusive estudado no mesmo liceu, sem que nunca nos tenhamos encontrado…Estranha situação! Incrível que tenhamos frequentado a mesma escola durante seis anos, sem que nunca nos tenhamos falado ou conhecido!
Foi precisamente quando a conversa já começava a escassear, estando naquele ponto quase de despedida, que apareceu a Angélica, a mais recente conquista de Verão, do Peste, este era o nome do nosso mais recente amigo.
Linda, de morrer era expressão perfeita para descrever Angélica…
Quando os nossos olhos se cruzaram (jamais esse momento poderá ser removido da minha mente), caí literalmente da cadeira, e estatelado no chão provoquei a maior risada dos últimos tempos naquela malta. Com a ajuda dela, pois os outros dois, tanto o Corvo como o Peste, continuavam a chorar de tanto rir, consegui colocar-me de pé, agradecendo a ajuda a gaguejar…
Situação que ainda aumentou mais o desespero destes.
- Chamo-me Angélica, e não ligues aqueles dois…
- Gabriel, meu nome é Gabriel, mas podes chamar-me Black Angel…
- Gosto de Gabriel, e jamais te chamarei Black Angel, pois com o nome que possuo, já não acredito neles, Gabriel!
A cumplicidade que cheguei a ter naquelas férias com a Angélica, fazia-me acreditar (pelo menos a mim) que havia alguma coisa, algum ser, alguma energia ou outro fenómeno qualquer, que eu não conseguia explicar, mas que de me dava a certeza, de já ter partilhado uma ligação com aquela miúda que nunca conhecera anteriormente.
Naquele ano, nunca chegamos a Caminha, mantivemo-nos o mês todo de Agosto no parque de campismo de Orbitur, em Canidelo, Viana do Castelo. Um pequeno parque, que possuía restaurante, um mini-mercado, o parque ligava directamente com a praia. Desde Punk´s, Góticos, Surfistas, Motard´s, portugueses, estrangeiros, famílias mais ou menos convencionais, todas as pessoas confraternizavam como se de uma família enorme se tratasse. A simplicidade do dia-a-dia dessas férias, e das amizades construídas, fez dessas férias as minhas preferidas.
Uma ano depois destas inesquecíveis férias, encontrava-me com o Corvo, no aeroporto Sá Carneiro (Porto), a espera da Angélica…
Androide-luc!!!

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