quarta-feira, 7 de maio de 2008

"Black Angel… O Deus de si mesmo!!!" - Capítulo II

“A sombra da noite é admirável!!! – É nela que o nosso espírito repousa, é nele que conseguimos interiorizar e adquirir a nossa verdadeira essência (enriquecer o nosso âmago).
A sombra do dia é falsa e capaz de destruir a realidade oculta de todos os nossos sonhos! – É nela que a exterioridade dos outros corrompe a nossa verdadeira essência. As nossas permanentes fobias parecem querer prender-nos às amarras de um cais, onde a incapacidade de vivermos nos deixam incapacitados de dar um rumo certo à nossa vida…a exterioridade dos outros já mais deve comprometer as nossas liberdadesAs violentas implosões dos nossos pensamentos e das nossas emoções formalizavam as nossas aparências…”

(HPFSF)

Encontrava-me a beber o meu habitual chocolate quente do final da tarde e acabava de ler uma crónica de música, quando num movimento sem direcção vi entrar o meu melhor amigo: Corvo que, tal como eu, era um jovem igualmente misterioso e peculiar…
Corvo era assim conhecido, devido ao seu fanatismo e adoração pelo filme que vira precisamente 13 vezes: “The Crow”.

-Hey, Anjo! Tudo bem? Que estás a ler? – Pegando na caneca do chocolate quente, bebericou, e sentou-se a espera da resposta.
-Olá! Um artigo sobre “Joy Division” – erguendo a revista que tinha recebido nesse mesmo dia de Londres, (de um contacto que ambos tínhamos, com uma miúda que conhecemos numas férias em Caminha), mostrei-lha.
- Foi a Angélica que ma mandou de Londres, é um artigo sobre um grupo de música que existiu nos finais dos anos 70...
O Corvo, pegou na revista, folheou-a, e começou a ler. Enquanto isso, peguei novamente na minha caneca do chocolate e coloquei ambas as mãos com intenção de as aquecer.
Enquanto o Corvo permanecia concentrado na leitura, eu meditava…
Já passavam das 19h30, quando decidimos pagar a conta e sair da “Cave-bar”, para dar um passeio.
Nós, Anjo Negro e Corvo, nessa altura vestíamos Jeans pretos, camisa preta ou branca, calçávamos botas ou sapatos “Dr. Martin”, sempre acompanhados pelos nossos habituais sobretudos negros, com forros interiores vermelhos (do tipo vampiro).
As nossas vestes contrastavam com a palidez das nossas faces, que por vezes eram escondidas pelos longos cabelos negros.
A redescoberta do romance, “O Monge de Cister” de Alexandre Herculano, (editado nessa altura numa edição especial); o culto literário por várias outras obras sobre a Idade Média; e o culto musical por bandas como: “The Cure”, Siouxie and The Banshees”, Bahaus, Fields of the Nephilim, faziam de nós amigos inseparáveis.
A nossa cumplicidade era tanta que por vezes as nossas conversas (ou a ausência delas) transportavam-nos para uma única realidade; uma realidade caracterizada pelo direito de sonhar!!!(...)

Androide-luc!!!

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